quarta-feira, 25 de junho de 2014

Segundo dia em Tóquio - 21 de junho, sábado

Antes de começar, obrigada a quem está lendo e comentando o blog! Não estou conseguindo responder a todos os comentários, porque a internet não ajuda, mas estou acompanhando a movimentação ;-)

Outras duas observações. A primeira é: as fotos que estou postando estão sendo tiradas com o tablet mesmo; portanto, são apenas registros da viagem. As fotos "oficiais", com alguma pretensão "artística", estão na câmera e só devem ser baixadas no Brasil. A segunda é uma advertência: esta postagem, em um certo momento, poderá provocar lágrimas, sobretudo na família...

O sábado começou meio confuso, para achar o caminho certo e o metrô (é um arco-íris de linhas, tudo em japonês; enlouquecedor). Nisso é preciso mencionar a paciência da minha amiga com minha absoluta falta de senso de direção e, como se não bastasse, minha irritação com esse meu defeito; não sou mole não. Enfim, uma cena urbana inusitada na saída da estação Tóquio - uma obra cercada por... coelhinhos?!



Andamos quilômetros meio a esmo e perguntamos pra gente que não fala inglês, mas pensa que fala (não entendo essa pronúncia!). As ruas não têm nome tão visível, o mapa não ajuda - não sei ler mapa - o GPS não mostrava toda a região.... aaaahhh! Grrrr! Nihon, gosto muito de você, mas tem coisas suas que me irritam. Para ilustrar: 


Por fim, chegamos na hora do almoço ao Tsukiji, o Mercado de peixe de Tóquio. Acho que o mercado em si já estava fechado, mas bastou, para nós, rodar nas barraquinhas em torno. Pensa a Uruguaiana, no Rio, ou a Visconde de Uruguai, em Niterói; agora tira o lixo, o cheiro de esgoto, a chance de ser assaltado, e troca os brasileiros pelo dobro de japas - é tipo isso. O mercado de peixe é... um mercado de peixe! Povo falando, anunciando os produtos, famílias passeando, gente comendo de um tudo e mais um monte de gororobas estranhas e irreconhecíveis. Se eu comi alguma? Lógico! A mais bizarra foram uns trequinhos que pareciam umas larvinhas. O gosto era normal, salgadinho, mas admito que comida com olho não é muito confortável. Para sentir o clima do mercado:



O almoço foi um espetinho de... de que mesmo? Lembro não, mas estava boooom... e tinha wasabi (raiz forte). Também comi hambúrguer de atum com molho de abacate - huuuuummm! Delícia! Por fim, sobre o mercado, fotinho para o pai: café do Brasil!



Dali, fomos a um templo budista bem próximo. Esta vai para meu amigo Ralph: na entrada, havia folhetos em japonês, inglês e... português! Estou levando um de presente, lembrei muito de você lá. Fiz o ritual de oferecer incenso, fazer reverência, bater palma etc. Templos religiosos em geral me agradam, pela atmosfera de paz. E esse, além disso, era bem bonito.
 


A parada seguinte foi o jardim Hama-rikyu, um parque que foi espaço de diversão dos xóguns e hoje é espaço público. Há lagos, pontes e casas de chá, além de ponto de saída de "ônibus aquáticos" que levam para um passeio no rio Sumida, mas o espaço é basicamente um jardim. Por isso, a chegada lá foi impactante, porque jardim me lembra meu vô Chico, e tudo lá me levava a pensar nele, em lhe contar sobre as hortênsias cor de rosa, os canteiros bem arrumados, as borboletas pretas estranhas, sobre um pássaro negro que grita de forma bem peculiar - lembrar ali o tempo todo que não vou poder dizer isso a ele foi difícil e me custou um bocado de lágrimas. Mas, enfim, andamos um bom tempo pelo parque, ouvindo as explicações em um audioguia. Um panorama (reparem o contraste entre os prédios e a natureza; isso é muito Tóquio):




Dentro do parque mesmo, pegamos o "ônibus aquático" e fizemos o passeio pelo rio, passando por baixo de 12 pontes. Foi interessante e rendeu boas fotos. Novamente me senti uma arara em extinção, quando um adolescente perguntou de onde eu era e pediu para tirar uma foto comigo... Já que é assim, também me animei a uma selfie então: 



Chegamos a Asakusa, outro lugar bem Tóquio-de-filme, com letreiros enormes e muito coloridos. Jantamos uma comida muuuuito boa em um restaurante bonitinho: 



Depois, demos uma volta no mercado em torno, até que minha amiga escutou português: brasileiros! Um descendente e esposa, mais tia e prima, pessoal do interior de São Paulo. Foi bom escutar nossa língua de novo, de outras pessoas! Pegamos algumas dicas e seguimos para outro templo, Senso-ji, apenas para fazer umas fotos, pois estava fechado (fotos na câmera, pois já estava escuro). Na saída, cenas das ruazinhas do lugar: 



Na janela, não uma namoradeira, mas um samurai!



O dia foi movimentado, mas ainda faltava uma parada: Shimokitazawa, bairro alternativo, com atrações musicais, ideal para a balada de sábado à noite. Hum... bom, essa era a expectativa... Vale relatar a ida: algumas trocas de estação do metrô e QUANTA GENTE! Não esvazia não, quase 22h e o povo todo na rua! Outro detalhe: coisa curiosa umas criaturas andando bêbadas... homens, garotos, garotas, trocando as pernas e sendo amparados por amigos. Isso não é no boteco não, é no metrô! Bem peculiar... rs!

Vimos várias lojas tipo brechó, demos uma rodada por ruazinhas com bares e restaurantes, até que nos atraiu uma casa de "crepe" e "tapioca" (!), que tinha internet grátis. Para encurtar, que esse post já está longo demais: o wi-fi era meia-boca e o crepe, servido em um cone de papel, tinha massa crua! Eca! Muito bizarro. Adoro comida japonesa, mas releitura de comida estrangeira por japoneses, hum... agora estou com um pé atrás. Registros da pretensa Lapa de Tóquio :P





Depois dessa night frustrada, voltamos para o hotel, eu morta, mas, ainda que com muitas emoções diferentes, feliz - afinal, é bom lembrar, estou no Japão ;-) 




domingo, 22 de junho de 2014

"Fatos sobre Tóquio/Japão" e "No Japão, fazer como os japoneses"

Fatos sobre Tóquio/Japão:

Algumas percepções esparsas e desorganizadas:

- as bicicletas andam na calçada, e isso não parece errado; também, elas andam devagar (às vezes);
- há muitas bicicletas, além de bicicletários por todo canto. Todo mundo anda de bicicleta, inclusive idosos. Algumas mães às vezes carregam duas crianças pequenas, uma na frente e uma atrás. As maiorezinhas vão nas próprias bicicletas;
- a incomunicabilidade é sufocante. Voltei a ser criancinha, analfabeta: passo as páginas e só vejo as figuras. Ninguém ou quase ninguém fala inglês direito, mas todos acham que falar japonês com um sorriso faz você entender tudo;
- os bebês e as crianças são lindinhos e fofíssimos, todos. É inevitável uma sucessão de  oooowwwwnnnn, além da grande vontade de morder as bochechas. Vou acabar sequestrando um(a) japinha desses(as) e levando na mala;
- eu já sabia e sempre disse isso, mas agora comprovei: japonês não é tudo igual. Tem os morenos, tem os bem branquinhos. Tem japonês(a) bonito(a), feio(a), bem bonito(a), bem feio(a), com diferenças marcantes nos traços. Isso é óbvio, como em todo povo, mas aí entendi porque esse estereótipo de "japonês é tudo igual": no Brasil, temos louro, moreno, negro, ruivo, tudo na mesma família, então o fato de os japoneses terem os cabelos e os olhos escuros é suficiente para acharmos que são todos iguais. Olhando de outra forma, nós é que somos todos diferentes demais, ué!
- quer ganhar dinheiro no Japão? Venha ser cabeleireira/o: a maioria das pessoas, e praticamente todos os jovens, usam cortes de cabelo super estilosos, inclusive os homens, que também pintam o cabelo;
- em dia de semana, 22h, a rua está lotada de gente voltando do trabalho. LOTADA!  Parece centro do Rio às 18h, 19h. Isso leva à próxima observação;
- como tem gente em Tóquio! De onde saiu todo esse povo?? Sábado à noite, 20h, metrô lotado, 23h, rua cheia; domingo de manhã, antes das 7h, com chuva, monte de gente na rua! Jovens, colegiais, famílias, velhinhos - o que vovó faz na estação de trem sozinha a essa hora?! (pensamento de brasileiro :P). Um monte de homens de terno e gravata e mulheres arrumadas pra escritório no domingo, hein?!
- os japoneses são muito alegres. Quando estão juntos conversando, em pares ou em grupos, sempre riem muito, tanto jovens quanto adultos; acho muito bonitinho e simpático :-); 
- sabe aquela corridinha que você dá na rua para pegar o sinal aberto, ou por qualquer outro motivo? Eu tenho que filmar uma japonesa correndo, ou mesmo um japonês: eles vão aos pulinhos, parecem desenho animado! É engraçado e fofo :-D 
- os restaurantes e lanchonetes oferecem lencinhos higiênicos para limparmos as mãos, e todo mundo usa. Mas não há guardanapos (e a boca, como fica?);
- a maioria dos banheiros tem privadas supertecnológicas, mas não tem papel para secar as mãos (só ventinho), nem sabonete! Ah, por isso os lencinhos higiênicos antes da comida :P

No Japão, fazer como os japoneses:

- tomar sopa com macarrão enfiando a cara na tigela, fazendo barulho e chupando o fio de macarrão. Não é falta de educação: tem que fazer assim, senão você não consegue comer direito e ainda faz a maior sujeira (eu tentei, mas foi estranho; obviamente, rolou uma certa lambança);
- falar "obrigado" a cada três palavras e "por favor" a cada duas (estou tentando);
- usar legging, calça pescador e tênis inclusive com saia (ainda não rolou, mas é certo que vou fazer);
- abrir o baú de roupas da vovó e desencalhar todos os vestidinhos, saias e blusas de babado e rendinhas que houver. Andar na rua vestida como uma boneca de louça é supernormal (o resultado às vezes é exótico, mas em geral gosto do estilo);
- usar sapatilhas de meia estampadas, aparecendo inclusive embaixo do sapato de salto (hum, vou comprar uma meinha dessas, mas usar desse jeito, sei não);
- andar de máscara na rua, provavelmente por causa de gripe. É supernormal aqui e bem funcional (mas sorte que fiquei boa do meu resfriado :P );
- andar na rua e nas escadas do lado esquerdo, em mão inglesa (estou me adaptando bem, mas às vezes esqueço);
- falar "neeeeeé" bem comprido no final das frases (para quem não sabe, o né do japonês é igualzinho ao nosso, tanto na pronúncia quanto no significado e na função); 
- usar guarda-chuva no sol. As mulheres fazem direto (vou adotar, agora que comprei um).

Em breve, mais percepções ;-)

Primeiro dia inteiro no Japão - 20 de junho


A manhã foi para descansar: só consegui acordar às 11h30! Mas o dia foi mais de reconhecimento. Começamos em Shinjuku, nosso bairro. Andamos bastante, sentindo o clima da cidade; o tempo está quente, mas agradável, porque venta muito aqui. Quando saímos do hotel e entramos em uma avenida principal, me senti em um filme (só estava esperando o Godzila aparecer). Uma foto pra dar a ideia: 


Depois, andamos um bom pedaço por avenidas largas, que lembravam a Avenida Paulista - só que bem mais limpa arrumada, menos cheia e com mais japonês, claro. A  região é comercial, mas não há barulheira de carros. Ouvi até o silêncio, incrível. Almoçamos num restaurante bonitinho, em que a garçonete serve a comida e vc pega sua bebida à vontade. Meu prato foi risoto: 


Acabado o almoço, caminhamos mais um tantão para ir ao Tóquio Metropolitan Government, já no bairro de Yoyogi. Um panorama do caminho: 




Será propaganda política?


E olha o que vimos na rua - é, Tóquio também tem sem-teto: 


Este é o prédio do governo:


Aqui, a vista de um andar que é um mirante. Esta mancha verde é um parque enorme. Esse contraste entre prédios e área verde é uma constante.


O templo do saber... Inatingível. Nunca foi tão frustrante entrar em uma livraria:



Dali, fomos para o parque que aparece na foto do mirante. Olha eu aí :-)



Ali há um templo xintoísta, uma construção interessante, toda aberta. 



No meio do templo, vieram dois rapazinhos estilosos na faixa dos 20 anos, Kota e Yuki, dizendo que queriam conversar com estrangeiros, pois fazem parte de um English club - bom, "ingurish curâb", mais precisamente :p Acharam o máximo sermos do Brasil - soccer?! World cup?! samba?! - e pediram para a gente sambar para eles - oi?! Japas folgados, rapá...! Enfim, Kota me adicionou no Facebook e encerrou-se a conversa.

A parada seguinte foi Harajuku, um bairro fashion cheio de lojas de marca. Primeiro comemos em um restaurante do tipo "go-round", invenção engenhosa. Funciona assim: todos se sentam em torno de um balcão, e no meio estão os sushimen, falando muito e dando boas vindas a quem entra e tchau a quem sai. Na parede há as cores dos pratinhos e os preços: os sushimen vão pondo os pratinhos em uma esteira, e você pega aquele que lhe apetece em aparência e valor. Bom, se não calcular direitinho, vai pagar uma nota, né... Mas gostei muito e gastei em torno de 40 reais, comendo sashimi e sushi. O primeiro peixinho cru no Japão foi memorável, estava bom demais! (baba, Rafa! ;-) 



Saindo dali, passeamos entre Gucci, Louis Vuitton etc. 



Aí, demos de cara com um "chocolate bar "... E o que há em um bar de chocolate? Acertou quem disse chocolate... e mulheres! Uma mulherada danada curando a TPM; sério, devia ter umas 20 a 30 mulheres e uns 3 caras (acompanhando mulheres). Dividimos uma sobremesa, mas pareceu amostra grátis, né...



Este foi o primeiro dia de passeio. Na volta, algumas cenas urbanas (para desmistificar Tóquio...)




JAPÃO! A chegada, 19 de junho

(Gente, pasmem, mas estou com dificuldades em acessar a internet por aqui; por isso, a publicação dos posts está atrasada, mas a escrita está andando. Vamos ver o que consigo atualizar hoje). 

Depois de um tempo na fila para trocar o JR Pass (o que foi relativamente simples, mas já deu pra ter uma ideia da dificuldade de se comunicar em inglês aqui, e isso em uma área turística), corremos para pegar o trem; a estação obviamente fica dentro do aeroporto, o que facilita tudo. O trem é confortável e estava vazio; deu até uma moleza. 

Ainda no Brasil, eu pensava que, quando caísse a ficha de que estava em Tóquio, eu iria até chorar de emoção. Não tive a oportunidade, porque a chegada não foi óbvia: qual é a saída? a quem pedir informação? que inglês é esse?! para que lado vamos? Claro que fomos para o lado errado, andamos um tantão carregando mala, mas na descida. O povo é simpático e prestativo: quando nos viam com o mapa, alguns paravam pra ajudar. Um mocinho gentil nos colocou na direção certa: bora subir com a mala... Depois de mais algumas informações pedidas ("where are you from? Brazil?! The world cup! Soccer!" - mas leia com sotaque japonês) e mais algumas voltas, chegamos bufando ao hotel. Pura burrice, porque bastava ler a orientação dada na reserva do quarto, no site do Booking.com; eles explicam com detalhes como chegar, fica a dica.

Saímos rapidinho para comer algo, mas como já estava tudo fechando, acabamos em um mercadinho 24 horas. Foi difícil decidir o que comprar, mas for fim escolhi uma embalagem com bolinhos de arroz envolvidos em alga - pra dar início aos trabalhos da temporada, nham ;-) Também comprei um treco que é a cara de um mega pão de queijo, mas a foto está na câmera. Bom, claro que não era pão de queijo, mas não era ruim não. 

O hotel é bem legal; os funcionários são jovens e muito gentis: dizem obrigado a cada 10 segundos, mesmo quando são eles que fazem um favor para você. O quarto é ótimo, embora bem pequeno (fotos em breve). A privada é daquelas tecnológicas, ligada na tomada - quando a gente imaginaria instalar uma tomada para a privada?! Não, ainda não testei nenhuma funcionalidade :p Infelizmente, a internet é ruinzinha, mesmo com (ou por causa de?) modem no quarto.

Bom, essas foram as primeiríssimas impressões do Japão. E atenção (fico me lembrando disso toda hora, para me dar conta): EU TÔ DO OUTRO LADO DO MUNDOOOO!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Segunda parte da viagem - e o Japão chegou mais pra lá


Comecei o segundo voo bem animada, até sem sono, espiando o dia nascer maravilhoso lá fora. Para começar a me ambientar, escolhi um filme japonês chamado "The Great Passage": é uma história bonitinha de um pós-graduado em Linguística (!) que trabalha em uma editora e acaba transferido para um posto pouco cobiçado, na seção de elaboração de dicionários. A relação dele com as palavras e os significados, sua extrema timidez, a descoberta do amor e as relações de trabalho vão sendo mostradas com sutileza. Achei um filme bem levinho e próprio para se ter uma ideia de alguns temas importantes para os japoneses (segundo andei lendo), como a dedicação extrema ao emprego e à empresa. Só é bom saber que é um filme... japonês: lento, contido, uma outra linguagem; quem for ver esperando uma comédia romântica americana vai achar chato. 

O final do voo foi brabo: as duas últimas horas se arrastaram. No aeroporto, a gente resolveu ficar se embelezando no banheiro (desenfeiando, não há beleza possível depois de dois dias de viagem), e aí o resultado: nossas malas já estavam fora da esteira, a encarregada nos despachando para irmos buscar logo e o pessoal da alfândega muito simpático, mas também doido pra se livrar da gente, apressadinho. Ficou tudo certo, mas eu não faria da mesma forma de novo; já chegar com essa pressa, gostei não. Trocamos o JR Pass, que é o passe de trem para rodar as cidades - e a chegada triunfante fica para o próximo post ;)

Primeira parada, trocadilhos infames, vivendo na Matrix


Eu prometi, a mim mesma e às pessoas próximas, que ia fazer duas piadinhas infames, e vou cumprir. Desculpem se os decepciono. Lá vai...

Mandaram: "ora, vá se catar!" E eu vim! Doha a quem doer! 


E dói, viu... a coluna, principalmente! Primeira parada: Doha, capital do Qatar, Oriente Médio. Saímos da América do Sul, atravessamos o Atlântico, cruzamos o norte da África e chegamos à Ásia: três continentes, um oceano, CATORZE HORAS de voo!

Antes de viajar, eu pensava em escrever sobre a loucura de aceitar ser um corpo que voa: enfiar-se num avião é a antiliberdade do ato de voar, porque você passa a ser só mais um pacote passivo que é carregado e não pode fazer nada além de esperar. Filmes, música, revistas, apetrechos para dormir são só os brinquedinhos para enganar o hamster. Mas foi um desses brinquedos que me fez aprofundar minha teoria: andar de avião CATORZE HORAS SEGUIDAS é estar na Matrix! (é, eu tinha uma tv só pra mim; sim, escolhi ver Matrix e não, nunca tinha visto antes. É, eu sei que é um filme já "velho". Mas só vi agora, ué!). E eu estava na Matrix. E EU sabia de tudo! Eu era o Neo da Matrix! Porque 95% do avião dormia enquanto eu estava 95% do tempo acordada! Umas 10 ou 12 horas sem dormir! EU conheço o real que ninguém conhece, I'm the one! (delirando, com olhos de panda).

Minha gente, o Japão não é nesse planeta não! E essa foi só metade do caminho! Mas não dá pra negar que a Qatar Airways é show. Além da TV para cada poltrona (que é até confortável), serviço de bordo legal, mapinha em tempo real que mostra onde o avião está, coisinhas para dormir (meia, máscara), enfim, um estilo mais antigo de companhia; assim os hamsters ficam felizes :P

Ainda arrumei como vizinho de poltrona paquistanês falador, que foi estudar espanhol no Peru e conhecer Machu Pichu - 32 horas de viagem pro cara voltar pra casa! (tem sempre alguém em situação pior que a nossa, é clássico). Mandou ver no inglês de desenho do Alladin, e eu, enferrujada, tinha que dizer "sorry" toda hora. Já está registrado o primeiro companheiro viajante do caminho.

Chegamos a Doha em torno das 22h no horário local, mas minha mente esperava ver o céu da manhã. Um dia que foi todo noite, surreal... Surreal também é o aeroporto, novinho, já pronto pra Copa de 2018 (!!!). Aqui vão algumas fotos, lugar incrível. Olha aí, cunhado!






Não me perguntem o que é este urso bizarro no meio do aeroporto, porque eu também não faço ideia.




Demos um bom rolé pra esticar as pernas, descobrimos que a moeda do Qatar se chama "real" e vimos várias lojas maneiras, especialmente uma de chás e azeites.


A fila para o outro voo foi tomada pela colônia de férias da terceira idade japa: um monte de senhorinhas tagarelas, que davam muitas risadas ao ouvir os "arigatô" e "sayonara" da atendente de embarque (pra nós ela disse "obrigada" ;) )

Mais 10 horas de voo e estou em Tóquio - bom, ou o que sobrar de mim. Agora é aproveitar o voo pra ver filme japonês e pra trabalhar um pouco. Até breve!

terça-feira, 17 de junho de 2014

O blog vai começar...

Olá, pessoal!

A ideia deste blog já é antiga - assim como o nome, de multissentidos (deixo para cada um chegar a suas conclusões ;) ). Porém, só agora me apareceu uma motivação forte o suficiente para começá-lo, além de algum tempo pseudo-ocioso forçado para justificar que eu me proponha a blogar em vez de doutorar... Estou a caminho do Japão! Comecei este texto no avião que me leva do Rio para São Paulo, onde pegarei o voo para Tóquio (Narita, mais precisamente). Cabe, então, iniciar com a história desta viagem, que não é nada recente. Por que Japão?!

Eu tinha 9 anos quando entrou na minha turma da 3a série uma coleguinha japonesa. Ela era bem diferente de todos nós: olhos puxados, cabelo muuuito liso e preto, modos delicados e muito comportados. Era tão diferente que não parecia uma criança de verdade: parecia uma boneca! Acho que foi ali que eu fiquei sabendo da existência de um país onde, na minha percepção, todas as pessoas eram assim, bonequinhos ambulantes inteligentes (esqueci de dizer que ela era muito inteligente e legal também). Passamos a ser grandes amigas, tanto de conversas nerds quanto de fofoquinhas adolescentes bobinhas e engraçadas. 

Dali em diante,  comecei a ter simpatia por esses bonequinhos e a querer conhecer e colecionar um monte deles. Ou eu dei muita sorte, ou esse povo tem muita gente boa - ou um pouco dos dois. Tive conhecid@s e amigas de idades diversas, um namorado, a maioria descendentes, dois made in Japan, todos igualmente bonequinhos na fisionomia, na forma de agir e no jeito de falar. Veio junto também o interesse pelo País dos Bonequinhos Inteligentes, um lugar conhecido pelo contraste forte entre o moderno e o milenar, o pop extravagante e o tradicional contido. No pacote, o interesse geral (que me acompanha desde então) pelo diferente, pelo que assombra por não ser óbvio e que encanta pelo mesmo motivo. 

Ir ao Japão, assim, tornou-se um sonho embrumado, sonho no sentido mais literal de "filme que sua mente produz enquanto você dorme": muitas vezes, desde a infância, sonhei que estava indo ao Japão ou chegando lá, sempre um lugar distante, em que encontrava os amigos, mas de onde voltava logo, e aí não sabia se de fato tinha ido ou não. Na vida real, ficava aquela promessa no ar, "quando eu for ao Japão...", um plano futuro quimérico sem prazo para acontecer, cercado de suave expectativa mas nunca planejado. 

Ano passado, uma amiga do trabalho inscreveu o resumo de um artigo nosso em um congresso em Toronto, no Canadá. O artigo não foi aprovado, e ela então descobriu, no dia de encerramento, a chamada para um congresso da mesma associação, só que... em Yokohama, no Japão.Quando me perguntou online "e aí, vamos?", não imaginou que estava mexendo com história antiga... 

Aí... a gente está aqui, agora já em Guarulhos, esperando o voo da Qatar Airways  para Narita (cidade vizinha a Tóquio onde fica um dos aeroportos internacionais). No meio da ponte Rio-Niterói, indo pro Galeão, perguntei a minha mãe se aquilo era sonho ou verdade - sonho aqui no mesmo sentido usado acima, não num sentido romântico-açucarado, não, por gentileza. Ela disse que não era sonho, eu acreditei, então espero que vocês acreditem também... O Japão vai começar! 

A ideia é publicar todo dia alguma coisinha, nem que seja uma foto com um comentário (não posso prometer um texto diário, seria propaganda enganosa). Vamos começar a visita em Tóquio, onde ficaremos do dia 19 ao dia 26. O resto da viagem direi depois, aos poucos... ;) 

Espero que vocês me acompanhem e comentem as postagens no link que aparece ao final de cada uma. Se é da família, conte pros nossos parentes. Se é amigo, fale para os nossos outros amigos. E me deseje boa viagem! 

Até breve!